Investimentos em tecnologia batem recorde em 2021; relembre negócios anunciados neste ano no setor

Investimentos em tecnologia batem recorde em 2021; relembre negócios anunciados neste ano no setor
Aportes, fusões e aquisições no ecossistema de inovação foram destaque no Brasil. Segundo especialista, a necessidade de digitalização causada pela pandemia impulsionou as movimentações

O valor investido em startups brasileiras no ano de 2021 já é quase três vezes maior do que todos os aportes realizados em 2020. De acordo com o relatório Inside Venture Capital, da Distrito, até novembro deste ano foram realizadas 677 rodadas de investimento, que somaram US$ 8,85 bilhões contra o montante do ano passado, de US$ 3,65 bilhões.

Alexandre Souza, gestor do Startup SC — projeto do Sebrae/SC de fomento ao empreendedorismo e inovação, explica que a digitalização acelerada e automação de processos aumentou o interesse de investidores no setor. “A partir da pandemia, nossas rotinas foram expandidas para o mundo digital. Consequentemente, propostas tecnológicas que pudessem mitigar as dores do mercado (muitas vezes desconhecidas até o período de pandemia) se tornaram vanguardistas da modernização, atraindo grandes cheques”, explica Souza.

Nesse contexto, confira algumas empresas e startups de tecnologia que movimentaram o mercado de inovação em 2021.

Na casa dos milhões

Uma das startups que cresceu e ganhou espaço durante a pandemia foi a Pulses, de soluções de clima organizacional, performance e engajamento medidos de forma contínua. A empresa chegou a aumentar em sete vezes o número de cadastrados na ferramenta e conquistou clientes como iFood e Grupo Ailos. A projeção no mercado chamou a atenção da Invisto, uma das principais empresas de venture capital voltada a negócios inovadores do Sul do Brasil, que realizou um aporte de R$ 3 milhões na scale-up em setembro. O acordo ainda permite que a empresa e o fundo possam ampliar o investimento para até R$ 15 milhões. “Queremos mostrar que as boas práticas de gestão de pessoas, potencializadas pela tecnologia, podem fazer a diferença, principalmente porque passamos um terço da nossa vida no trabalho”, comenta Cesar Nanci, CEO da empresa.

O conceito de Smart Money

Muitas vezes, o valor do investimento não é a parte mais importante para o empreendedor. O "Smart Money", expressão muito utilizada no ecossistema, indica que, além do capital, a parceria com o investidor irá trazer mais experiência para a startup, otimizando o modelo de negócio e colaborando com conhecimentos importantes da área em que a empresa atua. Normalmente, aportes com esta estratégia são mais do que suficientes para acelerar novos projetos.

É o caso da retailtech Yungas, de gestão e comunicação de grandes franquias, que recebeu seu primeiro aporte em dezembro deste ano pelo Private Equity SMZTO, grupo que pretende investir até R$ 50 milhões na aquisição de participações em novas startups de tecnologia. Atualmente, a retailtech presta serviços para três marcas do Grupo SMZTO — Instituto Embelleze, Peça Rara e Instituto Gourmet — e, com a compra de participação por parte do private equity, ela também passará a atender toda a holding. “Esse investimento é muito estratégico para a Yungas, pois vamos evoluir nosso produto para o mundo corporativo e integrar nossa tecnologia com outras ferramentas, principalmente de Business Intelligence e Inteligência Artificial”, declara Guilherme Reitz, CEO da Yungas.

No setor de energia, a Way2 — de tecnologia especializada em telemedição e gerenciamento de energia — recebeu seu primeiro investimento estratégico ao longo de 16 anos. Em novembro, a empresa recebeu aporte da Votorantim Energia, acordo em que os sócios fundadores da Way2 e a empresa passaram a ter respectivamente 50% de participação na companhia. "Esse investimento é um reconhecimento do mercado sobre a capacidade técnica e de inovação que a Way2 vem trazendo ao setor elétrico e que continua em franco crescimento”, diz Ricardo Grassmann, CEO da Way2. A Votorantim Energia, por meio da sua participação no conselho de administração, contribuirá para a estratégia da empresa na criação de novos negócios e oportunidades no monitoramento de energia.

Já no início deste ano, em maio, a startup de tecnologia para vendas Eyemobile foi comprada pela Getnet, braço de tecnologia do Grupo Santander, mantendo suas operações de forma independente. A empresa, que fornecia um software de vendas para grandes festivais e eventos, precisou se reinventar diante da pandemia de Covid-19, fortalecendo a atuação no varejo e integrando novas funcionalidades para a jornada digital que se intensificava no segmento. “Esse momento de mudança nos forçou a entender o mercado de forma mais abrangente e ampliar nosso modelo de negócio. A partir disso, chamamos a atenção de grandes empresas, chegando ao acordo de investimento que levou à aquisição”, detalha o CEO da Eyemobile, João Gustavo Pompeo.

No mesmo mês, a edtech de economia digital Tera recebeu investimento financeiro minoritário da Arco Educação — um dos maiores grupos de educação brasileiro com capital aberto na Nasdaq. O valor do aporte não foi divulgado, mas com a quantia, a startup divulgou que planeja evoluir sua plataforma de aprendizagem digital, criando um ambiente dinâmico em que as pessoas possam transitar em diferentes formatos, assim como expandir seu portfólio de cursos, fortalecer sua unidade de negócios corporativos (B2B) e dar ênfase aos formatos mais intensivos e com financiamento ISA (Income Share Agreement) — opção em que o aluno só paga após se formar e conseguir um emprego.

Adquirindo para crescer

Após receber um aporte de R$ 37 milhões em 2020 liderado pelo fundo de investimento Inovabra Ventures, do banco Bradesco, a fintech Asaas passou 2021 focando em aquisições. No primeiro semestre, a empresa divulgou a compra da Base ERP, de software SaaS baseado em nuvem para gestão de pequenos negócios. Já em agosto, foi a vez da Code Money, uma carteira digital para pessoas físicas, que será voltada ao consumidor do cliente Asaas. Ambas as soluções foram integradas à plataforma da fintech. “Nosso propósito é permitir que o empreendedor tenha acesso a serviços variados em uma mesma plataforma, algo que ainda não está disponível de forma integrada no mercado nacional”, aponta o CEO, Piero Contezini.

Outra empresa que passou o ano focando em aquisições foi a Mhnet Telecom, que se destacou entre as dez principais Provedoras de internet banda larga fixa na categoria de Pequeno Porte (PPP) do Brasil, segundo a Anatel. Em 2021, a companhia realizou nove aquisições de PPPs com atuações regionais: C-Connect (SC), Optinet (PR), GW Telecom (PR), Qnet Telecom (PR), Toledonet (PR), Frosinet (PR e SC), Zuknet Networks (SP), Creral Telecom (RS) e FuturaSC (SC). Devido aos acordos de sigilo de informações, os valores das transações não foram divulgados. Patrick Canton, CEO da Mhnet Telecom, diz que o movimento de incorporação de empresas regionais está alinhado à estratégia de expansão impulsionada pela infraestrutura da empresa — composta por mais de 25 mil km em cabeamento de fibra óptica em todos estados da região Sul, e também no Mato Grosso do Sul e São Paulo. “Além da incorporação ágil e tranquila por conta dessa estrutura, a expansão via fusões e aquisições faz parte de um plano de crescimento voltado ao planejamento de IPO”, complementa Canton.

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